Terça-feira, 29 de Julho de 2014. Boa Noite!
...

Cidade e Região + Zona da Mata

Cotação da saca de café em baixa gera manifestações de produtores Eles reivindicam uma política para a recuperação do preço da saca. Custos em alta deixam cenário ainda pior
Cotação da saca de café em baixa gera manifestações de produtores

Cotação da saca de café em baixa gera manifestações de produtores

Grandes regies produtoras de caf em Minas Gerais, Manhuau, na Zona da Mata, Trs Pontas e Nova Resende, no Sul do estado, pararam na semana passada para ouvir o apelo dos cafeicultores, ainda sem perspectivas de ver uma interveno no mercado do gro capaz de forar a reao dos preos. A colheita j alcana 20% da estimativa de safra em algumas reas, mergulhada em nova crise de rentabilidade, desta vez combinada a custos ascendentes, especialmente nas lavouras de montanha, onde a mecanizao no chega. A conta do prejuzo gira em torno de R$ 100 por saca, segundo estimativa da Federao da Agricultura e Pecuria do Estado de Minas Gerais (Faemg). A Organizao Internacional do Caf (OIC) j considera o descompasso comprometedor para a sustentabilidade da cafeicultura.

Insatisfeitos com a definio do Ministrio da Fazenda do preo mnimo de R$ 307 por saca de 60 quilos, enquanto o custo mdio indicado pela Confederao Nacional da Agricultura e Pecuria do Brasil (CNA) foi de R$ 336,16, os produtores tm vendido o gro de R$ 270 a R$ 300 por saca. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) avaliou as despesas na lavoura em
R$ 333,86 na mdia, em maio, cotao que eles esperavam servir de base para o clculo. No primeiro semestre, o preo corrente foi de R$ 307,83, de acordo com levantamento do Centro de Estudos Avanados em Economia Aplicada (Cepea), vinculado Universidade de So Paulo (USP), representando queda de 24,25% frente ao mesmo perodo de 2012. Trata-se do menor valor cobrado desde 2009 (R$ 262,86), quando a economia se ressentia dos efeitos da crise financeira mundial.

A mxima de que o cafeicultor teria de compensar a diferena com aumento da produtividade caiu por terra. “O produtor fez o seu dever de casa, melhorou a qualidade da produo e a gesto da lavoura, mas essa uma conta que no fecha”, afirma o diretor da Faemg Breno Mesquita, presidente da Comisso Nacional do Caf da CNA e da Comisso do Caf de Minas. Ele ressalta o fato de a cafeicultura brasileira ter dobrado a sua eficincia nos ltimos 10 anos, colhendo 24 sacas por hectare, seno o maior, um dos melhores ndices no mundo.

A despeito da alta produtividade, na regio da Zona da Mata mineira o custo direto apurado pelos produtores, incluindo, portanto, colheita, insumos e tratos culturais, alcanou R$ 350 por saca, informa Fernando Romeiro de Cerqueira, presidente da Cooperativa dos Cafeicultores de Lajinha (Coocaf). Os insumos encareceram mais de 20% nos ltimos 12 meses, com base em dados coletados pela Faemg, “Os agentes de mercado esto jogando os preos para baixo e os custos so crescentes. Passou da hora de o governo criar mecanismos para chegarmos a um equilbrio. Estamos colhendo h quase 60 dias”, reclama. A cooperativa congrega cerca de 6 mil produtores de 30 municpios, com expectativa de safra de 2 milhes de sacas neste ano.

FALTAM RECURSOS Desestimulados, h produtores que no tm contado com parceiros e meeiros, tambm convencidos de que a colheita torna-se um mau negcio, conta Fernando Cerqueira. Falta dinheiro para a panha, observa Luiz Fernando Ribeiro, presidente da Cooperativa Regional Agropecuria de Santa Rita do Sapuca (CooperRita), no Sul de Minas. “Boa parte do caf est no cho e comprometido. Os produtores que renegociaram dvidas no tero como pag-las aos bancos”, afirma. A cidade conta com cerca de 7 mil hectares plantados de caf e h 600 filiados cooperativa.

Breno Mesquita participou de vrias reunies nos ministrios da Agricultura e da Fazenda e afirma que os produtores no pedem nada alm de uma poltica para a atividade. Em meados de junho, o ministro da Agricultura, Antnio Andrade, chegou a prever que o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcaf), sobretudo para o financiamento da estocagem, contribuiria para retirar 10 milhes de sacas de caf do mercado, puxando os preos para cima. O oramento de
R$ 3,160 bilhes foi aprovado em 18 de junho pelo Conselho Monetrio Nacional (CMN), mas os produtores reclamam que o dinheiro no foi colocado disposio. Outra soluo reivindicada mescla o uso do Prmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) e um programa de aes pblicas de venda. At o fechamento desta edio, o Ministrio da Agricultura informou que cabe aos bancos liberar os recursos do Funcaf e que a pasta da Fazenda est avaliando o Pepro.

Falta dinheiro, trato acompanha

Com a certeza de que vo enfrentar novo revs nas plantaes nas prximas safras, como resultado da queda dos investimentos nos tratos culturais, algumas regies produtoras de Minas, a exemplo de Varginha, no Sul do estado, e Paracatu, no Noroeste, veem a crise se agravar, devido ocorrncia de chuvas durante a colheita. A preocupao com a qualidade do caf, prejudicada pela umidade, seja por derrubar os gros no cho, seja afetando a qualidade dos frutos ainda nas plantas, observa o consultor Marcos Pimenta, da Pimenta Assessoria Agrcola, com sede em Lus Eduardo Magalhes, na Bahia.

“H, de fato, um empobrecimento da classe produtora. O caf est sendo vendido pelos produtores atualmente para saldar contas, num momento de preos baixos, em que a moeda de troca est defasada”, afirma Marcos Pimenta. Reflexos desse empobrecimento, os tratos culturais esto diminuindo e tambm os novos investimentos nas lavouras. Os cafeicultores que faziam duas a trs adubaes, optam por apenas uma rodada. As cidades que dependem da atividade para a sustentao da economia local sofrem, ainda, com as consequncias da queda de rentabilidade da cafeicultura, observada nos principais estados produtores: Minas, Esprito Santo, So Paulo e Bahia.

As perspectivas da cafeicultura deixam as autoridades do governo estadual apreensivas e no por pouco, admite Niwton Castro Moraes, assessor especial de Caf da Secretaria de Agricultura, Pecuria e Abastecimento (Seapa). Maior produtor do gro no pas, Minas Gerais tem 634 municpios envolvidos no segmento, o que mais pesa no agronegcio, empregando 4 milhes de pessoas direta e indiretamente.

“Especialmente as regies montanhosas so intensivas no uso de mo de obra (segundo a Faemg, as despesas nessas reas com o trabalhador representam 52% do custo de produo). A possibilidade de desemprego preocupa o estado, assim como o abandono das lavouras a mdio e longo prazo”, diz Castro Moraes. A CNA informa que 50% da cafeicultura no Brasil se desenvolvem em regies de montanha. No fim de maio, a instituio divulgou dados indicando que, com base na colheita de 25,4 milhes de sacas nessas reas em 2012, o prejuzo decorrente dos preos baixos neste ano pode ter alcanando a casa de R$ 6,38 bilhes.

So, ao todo, no pas, 380 mil cafeicultores; 1,9 mil municpios produtores e 8 milhes de pessoas empregadas nas lavouras e na cadeia de prestadores de servios. A Conab prev safra brasileira de 49 milhes de toneladas em 2013. O consultor Marcos Pimenta explica que apesar da importncia econmica e social da cafeicultura, em contrapartida h poucas iniciativas na direo de uma poltica de preos para o setor e de incentivos financeiros. Cenrio que se complica, ante a especulao com os preos. A indstria e os distribuidores trabalham sempre sob a perspectiva da safra seguinte (no caso, a de 2014), que deve ser grande. Com a previso de um mercado bem abastecido, os preos so jogados para baixo. (MV)

(Com EM)

Verificando Comentários...
Publicidade
Publicidade


Notícias em Fotos
Show com Lucas Lucco em Manhuaçu Show com Lucas Lucco em Manhuaçu
1a Etapa do RFC em Caratinga 1a Etapa do RFC em Caratinga
Gabriel Gava com o Léo Magalhães Gabriel Gava com o Léo Magalhães
Carnaval 2014: Bloco Mulambada, segunda-feira Carnaval 2014: Bloco Mulambada, segunda-feira
Carnaval 2014 - Manhumirim Bloco Mulambada Carnaval 2014 - Manhumirim Bloco Mulambada
    © 2011 - 2014 MinasNoticias.com. Direitos parcialmente reservados e possuem distribuição sujeita a restritções sem devida autorização.

    Este site é um veículo de comunicação privado e independente, contendo ligações para diversos sites externos e não possui responsabilidade sobre o conteúdo e informações veículados ou divulgados pelos mesmos. As marcas exibidas através do site www.minasnoticias.com são privadas e têm seus direitos vinculados ao seus respectivos proprietários. Todas as informações e ofertas exibidas em anúncios publicitários aqui veiculados, são de responsabilidade única e exclusiva de seu anunciante.