Ativistas do ‘Black Lives Matter’ destroem estátua de defensor do fim da escravidão

Membros do grupo Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) derrubaram e destruíram, na última terça-feira, duas estátuas na cidade de Madison, capital de Wisconsin; desta vez os alvos foram uma estátua – símbolo feminista, e que foi esculpida por uma mulher na década de 1980, além do monumento de um coronel anti-escravidão.

A estátua ‘Forward’, uma réplica da original, representa uma mulher em pé na proa de um barco e foi desenhada originalmente por outra mulher, a artista Jean Pond Miner; e por seu simbolismo em favor das mulheres, já foi palco de manifestações pacíficas de grupos feministas no passado. Ainda assim, membros do Black Lives Matter a derrubaram após acorrenta-la e fixar nela mensagens com mensagens de ódio.


Mulheres se reúnem no entorno da estátua ‘Forward” — um símbolo feminista — para uma manifestação pacífica em 31 de maio de 1985.

Outra estátua derrubada pelo grupo na mesma área foi a do coronel Hans Christian Heg, que lutou na Guerra Civil ao lado da União, de Abraham Lincoln. O que os extremistas não sabiam, é que o monumento homenageava um imigrante norueguês que imigrou para os EUA ainda criança, e que morreu defendendo o fim da escravidão. A cabeça da estátua de Heg foi removida e suas partes todas jogadas dentro do lago Monona.

A estátua do coronel abolicionista Hans Christian Heg, antes de ser derrubada, decapitada e suas partes jogadas em um lago.

A estátua Forward

Em 1895, a escultora Jean Pond Miner recebeu uma honra incomum para uma mulher de sua época: sua estátua de dois metros de altura ‘Forward’ ganhou uma posição de destaque no Capitólio do Estado de Wisconsin. Miner completou sua estátua em 1893 na World’s Columbian Exposition em Chicago, como resultado da missão de criar uma escultura que representasse seu estado natal. “Forward” é uma alegoria de devoção e progresso, qualidades que Miner sentiu que Wisconsin encarnava.

Miner nasceu em Menasha, Wisconsin, em 1865, e cresceu em Madison, a capital do estado. Ela se formou no Downer College em Fox Lake e continuou seus estudos no Art Institute of Chicago.

Miner criou ‘Forward’ depois que o incêndio tomou seu estúdio durante uma  noite e a temperatura fria destruiu completamente outra estátua que ela estava prestes a concluir. Mais tarde, embora ela tivesse planejado lançar ‘Forward’ em cobre, seus fundos acabaram e a estátua permaneceu em sua forma de bronze.

Na World’s Columbian Exposition, sua estátua era descrita da seguinte forma, segundo a Sociedade Histórica de Wisconsin: “‘Forward’, que fica na parte sul do saguão principal [do edifício de Wisconsin], é obra da senhorita Jean Miner, de Madison, Wisconsin, e representa uma figura feminina em pé na proa de um barco. O barco está subindo pela água, e a mulher, posicionada graciosamente, mas com firmeza na proa, estende a mão direita, enquanto a esquerda aperta a bandeira americana até o peito. ”

Em 1895, a estátua foi colocada na entrada leste do Capitólio do Estado. Em 1916, o Estado rededicou ‘Forward’ e a mudou para a entrada do prédio na North Hamilton Street, onde permaneceu até 1995. Infelizmente, o delicado bronze sofreu em seus 100 anos de exposição ao ar livre. Apesar do cuidado na conservação, em 1990, o prognóstico para a preservação da estátua ao ar livre não era favorável.

As mulheres de Wisconsin, que haviam levantado os fundos para a criação de ‘Forward’, em 1893, também forneceram os meios para a preservação a longo prazo da estátua. Lideradas pela primeira dama de Wisconsin, Sue Ann Thompson e Camille Haney, mulheres de todo o estado financiaram a criação de uma réplica de bronze de “Forward” (agora exibida na entrada oeste da Praça do Capitólio no final da State Street); a escultura original foi transferida para um local coberto no edifício sede da Sociedade Histórica de Wisconsin, onde foi instalada em 1998.

Coronel Hans Christian Heg

Hans Christian Heg saiu da Noruega e imigrou para os Estados Unidos ainda quando criança, em 1840.

Após dois anos perseguindo a Corrida do Ouro na Califórnia, ele voltou para casa em Wisconsin em 1851 para cuidar da fazenda da família e de seus irmãos mais novos que ficaram órfãos com a morte dos pais.

Em 1861, Heg aceitou a posição de coronel no regimento escandinavo da 15ª Infantaria de Wisconsin e no ano seguinte ele marchou para enfrentar a Confederação, no sul do país.

O coronel Heg foi citado por bravura por sua liderança durante os combates.

Lembrado por perseguir soldados confederados até o sul do Alabama e da Geórgia, acabou morrendo quando baleado durante a Batalha Chickamauga.

O coronel Christian Heg, nascido na Noruega e criado em Wisconsin, deu sua vida na batalha para derrotar a Confederação e acabar com a escravização dos negros que eram mantidos em cativeiro.

Heg foi um verdadeiro abolicionista ao longo da vida e marcou a história por liderar um grupo anti-escravatura para proteger os escravos fugidos.

VIA CONEXÃO POLÍTICA